O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) deu prazo de 15 dias para que o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges/DF) apresente solução para a falta de peças que mantém parados equipamentos hospitalares como ventiladores mecânicos e monitores cardíacos na UPA Ceilândia II. Os aparelhos, essenciais para o pronto atendimento aos pacientes, estão sem funcionamento há quase três anos, apesar de o instituto manter contrato ativo com uma empresa de manutenção.  

Firmado entre o Iges/DF e a WF Tecnologia Científica, o Contrato nº 127/2020 tinha valor inicial de R$ 9,8 milhões. Com os aditivos somados, o total já passa de R$ 34 milhões. O TCDF analisou uma representação que apontou irregularidades nesse ajuste feito entre o instituto e a empresa. Entre elas estão falhas na execução dos serviços de manutenção, justificativas frágeis da contratada para a falta de conserto dos equipamentos, ausência de inventário e de documentos obrigatórios sobre as máquinas com defeito.   

Dentre os equipamentos esperando manutenção estão um monitor cardíaco, utilizado para acompanhar os batimentos do coração, com tela danificada devido a uma queda, desde 20 de abril de 2023. A empresa contratada pelo Iges/DF alegou que já havia feito a compra no exterior por falta de peças no mercado nacional. No entanto, o equipamento segue quebrado.  

Outro equipamento essencial para a UPA de Ceilândia II é o ventilador mecânico, que fornece suporte a pacientes com dificuldades respiratórias. A máquina apresentou defeito na bateria em agosto de 2023 após um líquido derramado causar curto-circuito. Com a necessidade de nova bateria, o equipamento segue funcionando somente ligado à rede elétrica e aguarda o conserto que estava previsto para fevereiro de 2024.   

Segundo a representação, apesar de já ter apontado falhas na execução contratual pela empresa, a própria Secretaria de Saúde do DF autorizou aditivos no contrato de manutenção e reajustes considerados inadequados e sem a devida comprovação. E mesmo com registros de serviços mal executados, o documento aponta que a empresa também expandiu a sua atuação para o Hospital Cidade do Sol, em Ceilândia, com aumentos de 6,35% a 28% nos valores dos contratos.

Processo: 00600-00004857/2025-97-e